As cartas. O destino traçado. “É de outras vidas”, diz a senhora dona do futuro por trinta minutos. E que futuro! Um sonho. Eu estava certo. Você é meu. Ilusão? Só meu. Não era loucura. É questão de tempo, que passa como pesadelo arrastado por noites intermináveis de frio. Estou louco? Sou, por você… e as cartas, meu bem, não mentem jamais.

As cartas. O destino traçado. “É de outras vidas”, diz a senhora dona do futuro por trinta minutos. E que futuro! Um sonho. Eu estava certo. Você é meu. Ilusão? Só meu. Não era loucura. É questão de tempo, que passa como pesadelo arrastado por noites intermináveis de frio. Estou louco? Sou, por você… e as cartas, meu bem, não mentem jamais.

Existe um garoto na janela. Ele olha os trens passarem, levando e trazendo passageiros. Acostumado com o barulho dos trilhos, ele já não sente mais as batidas do coração. Quase como uma valsa ensaiada, sua mão diz adeus por horas a fio. Ele não sente cansaço. São tantas despedidas, que ele não sente mais nada. Existe um garoto no espelho. Decidido a ser imortal. Ele vai fazer as malas pra nunca mais voltar.

Existe um garoto na janela. Ele olha os trens passarem, levando e trazendo passageiros. Acostumado com o barulho dos trilhos, ele já não sente mais as batidas do coração. Quase como uma valsa ensaiada, sua mão diz adeus por horas a fio. Ele não sente cansaço. São tantas despedidas, que ele não sente mais nada. Existe um garoto no espelho. Decidido a ser imortal. Ele vai fazer as malas pra nunca mais voltar.

“Acorda, seu dorminhoco!”, você disse com um beijo no rosto como nos velhos tempos. Abri os olhos, cheios de lágrimas com a certeza que você estaria ali. Não foi sonho. Eu te senti, ali, comigo. Não entendo porque você não esperou para receber o meu beijo também. Deve ser uma daquelas regras entre o céu e a Terra que não há o que ser entendido, apenas deve ser sentido. Que sorte dos que vão. Vivem nos dois planos. Triste para os que ficam no lado de cá, esperando todos os dias, incansavelmente, uma simples visita.

“Acorda, seu dorminhoco!”, você disse com um beijo no rosto como nos velhos tempos. Abri os olhos, cheios de lágrimas com a certeza que você estaria ali. Não foi sonho. Eu te senti, ali, comigo. Não entendo porque você não esperou para receber o meu beijo também. Deve ser uma daquelas regras entre o céu e a Terra que não há o que ser entendido, apenas deve ser sentido. Que sorte dos que vão. Vivem nos dois planos. Triste para os que ficam no lado de cá, esperando todos os dias, incansavelmente, uma simples visita.

O corpo treme, sua de uma forma diferente. A voz, muda. Eu respiro, fecho os olhos e paro por um minuto, ou dois. Não é possível. Que sensação estúpida. Seria muito mais fácil te matar mas, quando ouço sua voz, quem morre sou eu. Quem manda ser tão intenso como sou? Mas quem manda você ser um estúpido? Cego, estúpido. No final, somos todos estúpidos. Beijamos um, procurando o outro. Esperamos uma ligação que nunca vai existir. Como suicidas masoquistas encontramos todas as maneiras possíveis para não expulsar fantasmas. É melhor a presença que assombra do que a total ausência. Nada justifica. Continuo sendo um estúpido por querer você. E você? Um estúpido maior ainda por ignorar que eu estou aqui, esperando, esperando, cansado, mas ainda te esperando. Seu estúpido.

O corpo treme, sua de uma forma diferente. A voz, muda. Eu respiro, fecho os olhos e paro por um minuto, ou dois. Não é possível. Que sensação estúpida. Seria muito mais fácil te matar mas, quando ouço sua voz, quem morre sou eu. Quem manda ser tão intenso como sou? Mas quem manda você ser um estúpido? Cego, estúpido. No final, somos todos estúpidos. Beijamos um, procurando o outro. Esperamos uma ligação que nunca vai existir. Como suicidas masoquistas encontramos todas as maneiras possíveis para não expulsar fantasmas. É melhor a presença que assombra do que a total ausência. Nada justifica. Continuo sendo um estúpido por querer você. E você? Um estúpido maior ainda por ignorar que eu estou aqui, esperando, esperando, cansado, mas ainda te esperando. Seu estúpido.

Todo dia eu acordo com um plano. Planejo cada hora entre o que devo fazer, pensar e sentir. Como se organizar emoções fosse fácil. Mas, me iludo. Interpreto. Digo “está tudo bem”, mas não está. Coloco um bocado de sorriso no rosto para não transparecer a mente perdida em pensamentos repetitivos, constantes. A vida é um plano diário mas sem organização. Impossível parar de sentir, parar de amar ou de se apaixonar com a facilidade de tomar um gole d’água - muitas vezes indigesto pela quantidade de sensações emboladas no estômago. Alguns sentimentos nunca vão embora, não importa o quão profundo são enterrados em nossa memória. Sempre estarão lá, esperando o mínimo de estímulo para voltarem com toda força. E voltam. Com tudo. Destruindo o plano estrategicamente bolado para conseguir ficar, ao menos um dia, sem pensar em você.

Todo dia eu acordo com um plano. Planejo cada hora entre o que devo fazer, pensar e sentir. Como se organizar emoções fosse fácil. Mas, me iludo. Interpreto. Digo “está tudo bem”, mas não está. Coloco um bocado de sorriso no rosto para não transparecer a mente perdida em pensamentos repetitivos, constantes. A vida é um plano diário mas sem organização. Impossível parar de sentir, parar de amar ou de se apaixonar com a facilidade de tomar um gole d’água - muitas vezes indigesto pela quantidade de sensações emboladas no estômago. Alguns sentimentos nunca vão embora, não importa o quão profundo são enterrados em nossa memória. Sempre estarão lá, esperando o mínimo de estímulo para voltarem com toda força. E voltam. Com tudo. Destruindo o plano estrategicamente bolado para conseguir ficar, ao menos um dia, sem pensar em você.

Dizem que é paixonite essa falta de fome. Essa falta de sono. Essa febre. Até sem nunca ter deitado contigo, é a sua falta que sinto quando vou dormir. É estranho. É paixão ou empolgação? Não importa. Que mania feia essa do homem de ter que colocar um nome em tudo. É saudade misturada com vontade, é o coração pulsando mais acelerado, latejando em todo o corpo de desejo de te ver pela casa, pela rua, assim, por acaso, e até em sonho. Ah, esses românticos tolos como eu, sentindo falta do que nunca tiveram. Eu enrolo, me perco e disfarço, só pra dizer que a falta que me faz mais falta é a falta de você. 

Dizem que é paixonite essa falta de fome. Essa falta de sono. Essa febre. Até sem nunca ter deitado contigo, é a sua falta que sinto quando vou dormir. É estranho. É paixão ou empolgação? Não importa. Que mania feia essa do homem de ter que colocar um nome em tudo. É saudade misturada com vontade, é o coração pulsando mais acelerado, latejando em todo o corpo de desejo de te ver pela casa, pela rua, assim, por acaso, e até em sonho. Ah, esses românticos tolos como eu, sentindo falta do que nunca tiveram. Eu enrolo, me perco e disfarço, só pra dizer que a falta que me faz mais falta é a falta de você. 

Minha cama não é mais minha. Minha família é de estranhos. Em todo lugar que vou, ouço uma língua que não entendo. Fujo pra rua pra encontrar abrigo. Nada faz sentido. Volto para casa. Tudo continua sem sentido. Moro numa rua que não sei o nome, deito em um quarto que não tem nada meu em um apartamento que não sei o número. Esse corpo que visto; desconheço. Sou um estrangeiro sem nacionalidade. Sou de lugar nenhum.

Minha cama não é mais minha. Minha família é de estranhos. Em todo lugar que vou, ouço uma língua que não entendo. Fujo pra rua pra encontrar abrigo. Nada faz sentido. Volto para casa. Tudo continua sem sentido. Moro numa rua que não sei o nome, deito em um quarto que não tem nada meu em um apartamento que não sei o número. Esse corpo que visto; desconheço. Sou um estrangeiro sem nacionalidade. Sou de lugar nenhum.

Coloco a cabeça no travesseiro pra dormir mas meu cérebro me bombardeia com emoções que não quero sentir.
Eu evito ficar triste e tento seguir em frente. Me forço a entender que você não está mais aqui mas é tão difícil quanto não pensar em todos os que morreram por amor.
A dor da perda é tão forte que, em um ato romântico de desespero, se põe fim à própria vida. É poético. É lindo. Talvez seja a resposta para todas essas minhas noites de insônia.
“Do que ele morreu?” De amor.

Coloco a cabeça no travesseiro pra dormir mas meu cérebro me bombardeia com emoções que não quero sentir.

Eu evito ficar triste e tento seguir em frente. Me forço a entender que você não está mais aqui mas é tão difícil quanto não pensar em todos os que morreram por amor.

A dor da perda é tão forte que, em um ato romântico de desespero, se põe fim à própria vida. É poético. É lindo. Talvez seja a resposta para todas essas minhas noites de insônia.

“Do que ele morreu?” De amor.

E vai chegar o dia em que você vai olhar a alma de um outro e perceber que ali está sua morada. Nesse momento, toda sua existência começa a fazer sentido. Você não é mais uma metade perdida na multidão. Você está pleno, completo.

E vai chegar o dia em que você vai olhar a alma de um outro e perceber que ali está sua morada. Nesse momento, toda sua existência começa a fazer sentido. Você não é mais uma metade perdida na multidão. Você está pleno, completo.

Sou filho de uma retirante nordestina - Isso já explica muito da minha história. Recebi uma educação - que alguns ousam dizer antiquada - que prefiro rotular como tradicional e rigorosa.
Nunca teve espaço para muito carinho, afeto. A sobrevivência, literalmente, ocupou todo o tempo da minha família que, milagrosamente, se tornou uma das mais unidas que conheço.
Não frequentei boas escolas, não tive a roupa “da moda” na adolescência e nem os disc players - os atuais iPods. Eu tinha o básico para viver: casa, comida, caderno, lápis, caneta e meia dúzia de roupas.
Mesmo em um universo tão precário, foi dentro de casa que aprendi o amor e a importância de respeitar o outro como ser humano, acima de tudo. Éramos pobres financeiramente mas ricos de alma.
Mas, nenhum ser humano vive só da luz. É preciso a sombra. O ódio. A malícia para viver em um mundo onde os espaços são preenchidos como em uma guerra - seja do lado profissional, seja do lado emocional. Não há tempo pra perder.
E eu não perdi tempo. Toda porta aberta que eu vi, entrei. Me apoiei em amigos, ouvi conselhos de estranhos, me inspirei por ídolos de carne e osso. Cada palavra e cada gesto foram assimilados por mim em detalhes. Eu ainda sou filho de uma retirante nordestina mas não sobrevivo mais. Eu vivo.
Alguns podem me chamar de mal agradecido mas nunca souberam reconhecer minha gratidão. A minha educação tradicional sempre me guiou a agradecer e retribuir todos que me ajudaram. A vida me ensinou a relevar os que tentaram me derrubar ou aqueles que simplesmente não moveram um dedo para me ajudar - mesmo em condições de.
Hoje quero celebrar minhas vitórias. Ultrapassei todos os meus maiores desafios e reparei erros alheios cometidos há mais de 20 anos. Sou o alicerce da minha família, o homem, o pai sem filhos.
Arrogantes me acham arrogante por eu ter orgulho de onde estou e quem eu sou; mas eu te pergunto: eu não deveria ter?
Há 20 anos eu era o filho caçula de uma família desmoronando, há 15 eu era o garoto esquisito da escola que era espancado por ser diferente quando a expressão bullying ainda não existia. Há 5 eu era um recém-adulto em depressão, com medo do futuro, com medo da vida e das grandes responsabilidades na minha mão.
Hoje sou a melhor versão do ser humano, do homem que eu poderia ser, contrariando o garoto mimado e metido que pensam que sou. Afinal, precisa ser muito homem para acordar todos os dias com leveza, mesmo sabendo que existe uma família toda contando com você. É preciso ser muito homem para, em qualquer dificuldade, sorrir e brincar como uma criança ingênua. É preciso ser muito homem para enfrentar a sociedade como um homossexual bem resolvido, mesmo vivendo em um país onde nada me protege por ter nascido assim, e não ter escolhido ser assim. É preciso ser muito homem para olhar sem mágoa os amigos que viraram as costas pra mim nos momentos mais difíceis, mesmo quando eu movi o mundo por eles. É preciso ser muito homem para pedir perdão a quem machuquei. É preciso ser muito homem para buscar a evolução diariamente em equilíbrio com tudo e todos ao redor. E é preciso ser muito homem para deixar o papel de vítima de lado e aceitar o prêmio de vencedor, sem deixar o ego entrar.
Aos que me ajudaram em minha breve jornada, meu muito obrigado. Aos que esperaram ansiosamente pela minha queda, tenho uma péssima notícia: eu sou um guerreiro na minha própria guerra; eu venci.

Sou filho de uma retirante nordestina - Isso já explica muito da minha história. Recebi uma educação - que alguns ousam dizer antiquada - que prefiro rotular como tradicional e rigorosa.

Nunca teve espaço para muito carinho, afeto. A sobrevivência, literalmente, ocupou todo o tempo da minha família que, milagrosamente, se tornou uma das mais unidas que conheço.

Não frequentei boas escolas, não tive a roupa “da moda” na adolescência e nem os disc players - os atuais iPods. Eu tinha o básico para viver: casa, comida, caderno, lápis, caneta e meia dúzia de roupas.

Mesmo em um universo tão precário, foi dentro de casa que aprendi o amor e a importância de respeitar o outro como ser humano, acima de tudo. Éramos pobres financeiramente mas ricos de alma.

Mas, nenhum ser humano vive só da luz. É preciso a sombra. O ódio. A malícia para viver em um mundo onde os espaços são preenchidos como em uma guerra - seja do lado profissional, seja do lado emocional. Não há tempo pra perder.

E eu não perdi tempo. Toda porta aberta que eu vi, entrei. Me apoiei em amigos, ouvi conselhos de estranhos, me inspirei por ídolos de carne e osso. Cada palavra e cada gesto foram assimilados por mim em detalhes. Eu ainda sou filho de uma retirante nordestina mas não sobrevivo mais. Eu vivo.

Alguns podem me chamar de mal agradecido mas nunca souberam reconhecer minha gratidão. A minha educação tradicional sempre me guiou a agradecer e retribuir todos que me ajudaram. A vida me ensinou a relevar os que tentaram me derrubar ou aqueles que simplesmente não moveram um dedo para me ajudar - mesmo em condições de.

Hoje quero celebrar minhas vitórias. Ultrapassei todos os meus maiores desafios e reparei erros alheios cometidos há mais de 20 anos. Sou o alicerce da minha família, o homem, o pai sem filhos.

Arrogantes me acham arrogante por eu ter orgulho de onde estou e quem eu sou; mas eu te pergunto: eu não deveria ter?

Há 20 anos eu era o filho caçula de uma família desmoronando, há 15 eu era o garoto esquisito da escola que era espancado por ser diferente quando a expressão bullying ainda não existia. Há 5 eu era um recém-adulto em depressão, com medo do futuro, com medo da vida e das grandes responsabilidades na minha mão.

Hoje sou a melhor versão do ser humano, do homem que eu poderia ser, contrariando o garoto mimado e metido que pensam que sou. Afinal, precisa ser muito homem para acordar todos os dias com leveza, mesmo sabendo que existe uma família toda contando com você. É preciso ser muito homem para, em qualquer dificuldade, sorrir e brincar como uma criança ingênua. É preciso ser muito homem para enfrentar a sociedade como um homossexual bem resolvido, mesmo vivendo em um país onde nada me protege por ter nascido assim, e não ter escolhido ser assim. É preciso ser muito homem para olhar sem mágoa os amigos que viraram as costas pra mim nos momentos mais difíceis, mesmo quando eu movi o mundo por eles. É preciso ser muito homem para pedir perdão a quem machuquei. É preciso ser muito homem para buscar a evolução diariamente em equilíbrio com tudo e todos ao redor. E é preciso ser muito homem para deixar o papel de vítima de lado e aceitar o prêmio de vencedor, sem deixar o ego entrar.

Aos que me ajudaram em minha breve jornada, meu muito obrigado. Aos que esperaram ansiosamente pela minha queda, tenho uma péssima notícia: eu sou um guerreiro na minha própria guerra; eu venci.